Todo o desenvolvimento de novos conhecimentos e tecnologias de prevenção e tratamento de doenças, bem como a verificação dos efeitos farmacodinâmicos, farmacológicos e clínicos de qualquer medicamento, necessita de pesquisas clínicas. Nelas são avaliados e testados inúmeros aspectos, em diversas etapas, com diferentes métodos que beneficiarão a sociedade através da descoberta de medicamentos seguros e procedimentos médicos fundamentais para a vida.

Para um medicamento chegar às nossas casas, são necessários estudos clínicos que passam por diversas fases fundamentais, que vão desde a avaliação inicial em humanos, passando por avaliações internacionais de larga escala de diferentes populações, em múltiplos centros, para demonstrar eficácia e segurança.

Recentemente, a comunidade médica brasileira se viu em difícil situação com a sanção da Lei 13.269, que autoriza os pacientes com câncer a usarem a fosfoetanolamina sintética antes de seu registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Essa medida se deu dias depois da divulgação de testes realizados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação mostrarem que a substância não apresenta eficácia contra células cancerígenas em testes in vitro.

A fosfoetanolamina foi desenvolvida por um professor de química da USP, que afirma que ela é capaz de tratar todos os tipos de câncer. Animados com os resultados dos testes em culturas de células e pequenos animais, os pesquisadores decidiram ignorar a necessidade de realizar os estudos necessários de pesquisa clínica e passaram a distribuí-la para pessoas com câncer.

Ignorar regras e padrões internacionais e desprezar a necessidade de realizar pesquisas clínicas em um medicamento é regredir décadas de conquistas da ciência no país. Soma-se a isso a burocracia, que faz com que o país perca os prazos de ingresso em estudos internacionais.

Segundo a Interfarma, em 2015, um estudo era avaliado em até 60 dias nos Estados Unidos, enquanto no Brasil levava aproximadamente 12 meses. Enquanto isso, instituições de pesquisa sérias amargam prejuízos de tempo, dinheiro e conhecimento com a morosidade dos estudos.

Conhecimento e força de vontade nós temos no Brasil. São vários centros especializados, com tecnologia de ponta, que contam com equipes de pesquisa que investigam temas relacionados ao diagnóstico e ao tratamento do câncer, beneficiando a população com a descoberta de novos medicamentos e procedimentos médicos. As pesquisas são conduzidas seguindo rigorosamente as boas práticas clínicas, bem como as normas dos comitês de ética em pesquisa e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.

Se existe legislação para garantir os direitos dos sujeitos de pesquisa, eles devem ser cumpridos. Pela saúde da população e pela dignidade da comunidade científica.

Fonte: O Estado de Minas