Sindhosba

Empresas estão demitindo devido à crise e não conseguem pagar direitos.
Desempregados não têm outra alternativa, a não ser procurar a Justiça. 

Mais de um milhão de brasileiros já entraram na Justiça este ano só para garantir seus direitos depois de perder o emprego. É mais um recorde negativo da crise que tem levado muitas empresas a fechar as portas. Tem empresa que está demitindo e não está conseguindo pagar os direitos dos empregados. 

São os direitos trabalhistas de quem foi demitido e não tem outra alternativa a não ser procurar a Justiça. E esse aumento de ações é de trabalhadores de várias áreas, principalmente da indústria e do setor de serviços. 

O Bom Dia Brasil fala sobre uma face perversa da crise econômica. Estão aumentando as ações trabalhistas na Justiça. Com a crise, as empresas estão tendo dificuldades para pagar as rescisões e os desempregados estão sendo obrigados a recorrer à Justiça para receber os direitos. Só neste ano já foram abertas mais de 1,139 milhão ações. 

Agora, Alberto de Souza Barbosa só está ajudando nas tarefas da casa. Há um mês e meio ele foi dispensado da empresa de transporte de valores onde trabalhava como motorista. 

“Fazia as entregas aqui em Brasília, ía para Goiânia, voltava, aí foi diminuindo, diminuindo, ficavam dois motoristas na reserva, dois trabalhando. Não conseguiram mais segurar e mandaram embora”, queixa-se o motorista. 

“Só que ele não recebeu o dinheiro a que teria direito: nem férias, nem décimo-terceiro proporcionais, nem a multa sobre o FGTS, já que a demissão foi sem justa causa. 

“Eles falaram que não tinham dinheiro, mandaram esperar que daqui a três meses, mais ou menos, iam legalizar, mas não tinha como esperar e eu coloquei na Justiça”, diz Alberto.

A professora Lidiane Rocha Oliveira, mulher do Alberto, seguiu o mesmo caminho. Ela dava aulas em uma escola infantil particular.
“Quando começou o ano letivo de 2015 eles começaram a não pagar o salário direito alegando que não estavam recebendo o dinheiro dos pais dos alunos, a mensalidade”, explica Lidiane.

A Lidiane e o Alberto engrossam as estatísticas. No ano passado, mais de 2,6 milhões de trabalhadores como eles entraram na Justiça em busca de direitos. Este ano já tem um novo recorde. E o número de processos aumenta à medida que as empresas, com a crise, estão sendo obrigadas a demitir, sem ter dinheiro para bancar a rescisão.

Só nos primeiros cinco meses do ano, foram ajuizadas 1,139 milhão de novas ações trabalhistas – 8% a mais do que no mesmo período do ano passado. Os trabalhadores que perderam o emprego na indústria foram os que mais entraram com processos na Justiça, seguidos dos trabalhadores do setor de serviços e do comércio. O problema é que, às vezes, nem entrando na Justiça resolve.

“Só 20% das sentenças trabalhistas têm sido efetivamente executadas ao final da sua decisão. Os trabalhadores hoje estão bastante fragilizados em um ambiente de crise econômica. Mas nós vemos também que as empresas estão fragilizadas. A quantidade de empresas que está quebrando nesse período do Brasil é enorme”, explica o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Martins Filho.
O Alberto, que está esperando uma decisão da Justiça, torce para que esse não seja o destino da empresa onde ele trabalhava.

“É rezar para eles não falirem e não pagar nada”, diz o motorista.

A Lidiane, que o Bom Dia Brasil mostrou na reportagem, é professora formada. Mas só conseguiu emprego como vigilante de uma escola. Já o Alberto, ainda está em busca de um novo trabalho.

Fonte: Bom Dia Brasil (G1)